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James Ellroy é o melhor da Flip


Por Sérgio Rodrigues Todoprosa


Revitalização da boa e velha arte narrativa. Capacidade de prender o leitor na história que se desenrola nas (muitas e muitas) páginas de um romance-tijolo sem fazer concessões às fórmulas do best-seller. Ambição de dar conta de um momento histórico em seus diversos aspectos por meio de personagens fortes dotados de apetites que o leitor reconhece, a começar pelo apetite propriamente dito. Tudo isso poderia ser dito – e vem sendo dito– de Jonathan Franzen, autor do mais-que-festejado “Liberdade”. Tudo isso pode ser dito com mais propriedade de James Ellroy, a principal atração da Flip que começa daqui a três semanas.
Isso não quer dizer que eles sejam parecidos. Nem de longe, embora ambos se declarem fãs e devedores do grande mestre do romance oitocentista, Leon Tolstoi. Quer dizer apenas que mérito e reconhecimento são curvas independentes, que se encontram e se desencontram de modo imprevisível. Ellroy é mais fragmentado, nervoso, experimental, paranoico, sujo e desbocado que seu compatriota que vem sendo chamado de gênio. Em vez de aspirar a um romance redondo, produz narrativas prismáticas e cheias de arestas que incorporam personagens da vida real, notícias de jornal e relatórios de legistas. Despreza a classe média “normal” que é o pasto de Franzen e se concentra em marginais e poderosos, extremos que se tocam. Parte de um gênero que os críticos de nariz em pé consideram menor, a literatura policial, e, embora seja preciso esquartejá-lo para fazer sua abordagem eminentemente política caber nesse escaninho, paga um imposto alto por ter sangue e armas nas capas de seus livros.
Não é só. Distante da imagem de bom moço de Franzen, Ellroy é um ex-detento e ex-drogado para quem a literatura foi de fato uma boia na tempestade – dado biográfico que, ao mesmo tempo que ajuda em sua divulgação em nossos tempos de culto à personalidade, contribui para folclorizá-lo e diminuí-lo como artista. Além do mais, parece meio maluco e já andou se declarando “o maior escritor policial que jamais viveu”. Antipático, não?
Com tudo isso, considero provável que Ellroy – e não Franzen – continue sendo lido daqui a cem anos, caso ainda haja quem leia alguma coisa daqui a cem anos. Do elenco da Flip 2011 e no âmbito mais restrito da lusofonia, apenas João Ubaldo Ribeiro tem uma obra com ambição, maturidade e peso equivalentes, do tipo que não abre mão do valor supremo da literatura – contar boas histórias – mas, para tanto, faz avançar as fronteiras das linguagens estabelecidas. Vejo pontos de contato entre “Tabloide americano”, romance de Ellroy passado na era Kennedy, e “Viva o povo brasileiro”, o mais importante romance brasileiro das últimas três décadas. São duas epopeias desencantadas que podem ser lidas ao mesmo tempo como ode e réquiem a um certo espírito de nacionalidade. Mas isso fica como tema para outra ocasião.
James Ellroy desembarcará no Brasil a bordo de um romance de 960 páginas, o recém-lançado “Sangue errante” (Record, tradução de Ivanir Alves Calado), que mais uma vez mistura personagens reais e inventados para injetar ficção num momento crítico da história americana, o período de reação conservadora entre 1968 e 1972, após os assassinatos de Martin Luther King e Robert Kennedy. No entanto, a quem estiver interessado em conhecer o autor e achar, compreensivelmente, que o tempo até a Flip é curto demais para encarar tão fabuloso catatau, recomendo como porta de entrada “Dália negra”, seu romance de estreia, lançado em 1987 (aqui disponível em edição de 2006 da mesma Record, com tradução de Claudia Sant’Ana). Tem cerca de metade do tamanho de “Sangue errante” e, escrito para exorcizar a obsessão com sua mãe, assassinada em circunstâncias obscuras quando ele tinha dez anos, começa assim:
Jamais a conheci em vida. Ela existe para mim através dos outros, como prova dos caminhos em que a sua morte os lançou. Voltando ao passado, buscando apenas fatos, eu a reconstruí como uma menina triste e uma prostituta, quando muito alguém-que-poderia-ter-sido, rótulo que também poderia se aplicar a mim. Gostaria de lhe ter concedido um final anônimo, de tê-la relegado a breves palavras de detetive, num relatório sumário de homicídio, com cópia carbono para o legista, e mais papelada para enterrá-la em vala comum. O único erro em relação a esse desejo é que ela não teria gostado que fosse assim. Por mais brutais que sejam os fatos, ela gostaria que fossem todos revelados. E como lhe devo muito e sou o único que sabe a história inteira, incumbi-me de escrever essas memórias.


fonte:http://veja.abril.com.br/blog/todoprosa/vida-literaria/james-ellroy-e-o-melhor-da-flip/

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