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Brasil - Amazonas - Como a aliança entre Aveda e iauanauás deu poucos frutos

John Lyons/The Wall Street Journal
Crianças iauanauás e o urucum: produção da tribo ainda é muito pequena.

John Lyons
The Wall Street Journalde Mutum, Amazonas
Num remoto povoado da Amazônia, a um dia inteiro de canoa da estrada mais próxima, um grupo da tribo iauanauá com saiotes de capim está reunido ao redor de uma pilha de urucum, uma fruta espinhosa usada para as pinturas no corpo, e posa para dois fotógrafos da fabricante americana de cosméticos Aveda.
As imagens ajudarão a Aveda, filial da Estée Lauder, a vender sua popular linha de batom, sombra e pó compacto Uruku, que usa a planta como corante. A empresa pode cobrar mais por produtos com bom aspecto que, ao mesmo tempo, ajudam a salvar a selva amazônica propiciando um modo de vida sustentável aos índios.
Mas há algo errado na foto. Para começar, os iauanauás não produzem muito urucum. Entre 2008 e 2010 eles não entregaram uma única fruta à Aveda. O urucum em si não é tão exótico quanto a Aveda o descreve num alegre vídeo no seu site, em estilo de documentário. Chamado em inglês de annatto, é um corante de alimentos barato cultivado no mundo inteiro para dar a produtos como o Macarrão com Queijo da Kraft um tom alaranjado.
A aliança de duas décadas da Aveda com os iauanauás é um dos testes mais longevos do conceito de que grandes empresas podem lucrar e também ajudar o planeta por meio de relacionamentos empresariais com povoados na floresta, dando a eles o poder de proteger suas terras. Serve também como alerta para os enormes obstáculos logísticos e culturais que podem impedir que relacionamentos como esses funcionem da maneira alardeada.
Há poucas dúvidas de que a Aveda ajudou a tribo de várias maneiras importantes, melhorando o acesso à saúde, educação e serviços governamentais. Mas o empreendimento não conseguiu tornar os iauanauás autossuficientes. O valor de mercado da safra em média é de US$ 500, pouco para sustentar uma população de 700 pessoas. Além disso, a tribo não tem outros clientes além da Aveda. O projeto basicamente é uma forma de filantropia hoje em dia, em que a tribo recebe ajuda da Aveda em troca de pequenas quantidades de urucum e uma narrativa edificante.
Para complicar ainda mais a questão, a Aveda coopera agora com cerca de metade da tribo, depois de um conflito entre dois líderes ter gerado um racha entre os iauanauás que querem e os que não querem fazer negócio com a empresa.
Numa entrevista em fevereiro ao Wall Street Journal, o diretor-presidente da Aveda, Dominique Conseil, reconheceu que o empreendimento não propiciou aos iauanauás o tipo de modelo econômico sustentável que a Aveda tinha em mente há 18 anos, mas disse que o projeto ainda está evoluindo. Ele disse que a empresa ajudou a tribo a reviver sua linguagem e tradições, e mais que dobrar sua população num momento em que muitas tribos amazônicas estão esquecendo a língua e migrando para as cidades. Ele descreveu o racha dos iauanauás como uma questão interna em que a Aveda não está envolvida.
Na entrevista, Conseil também disse que a tribo é a principal fornecedora de urucum da empresa. Mas em abril a Aveda informou num e-mail que "houve um mal entendido" e ela também compra de outras fontes, como a Chr. Hansen, uma empresa dinamarquesa que produz corantes naturais para alimentos.
O envolvimento da Aveda com os iauanauás já é mais duradouro que outros empreendimentos criados na era dourada dos acordos para salvar a floresta amazônica, há 20 anos. A maioria fracassou. Um acordo de 1991 entre os índios caiapós e a The Body Shop para fornecer óleo de castanha-do-pará ruiu por causa de uma disputa sobre pagamentos e marketing. A fabricante americana de sorvetes Ben & Jerry parou de fabricar o sabor "Rainforest Crunch" em 1997, depois que se revelou que muitas castanhas da sobremesa na verdade não vinham realmente de fornecedores na selva, que não conseguiam atender à demanda.
O conceito de preservar o meio ambiente comprando ingredientes das pessoas que vivem nas regiões ameaçadas voltou a se popularizar com o crescimento vertiginoso da demanda por produtos como café e chocolate "fair trade", ou de comércio justo. Mas, diferentemente da abordagem da Aveda, em que os executivos embarcam em canoas e entram na mata para fazer negócio com tribos isoladas, muitas empresas trabalham agora com intermediários, ONGs que "certificam" cooperativas agrícolas no mundo inteiro. Grupos como a Fairtrade Foundation e a Rainforest Alliance garantem que essas cooperativas agrícolas produzam com o mínimo de impacto nas florestas e paguem um salário decente aos trabalhadores, entre outras coisas.
Mais de 5.000 empresas, como Starbucks, Avon e Kraft Foods, agora vendem esses produtos com o logotipo da Fairtrade ou da Rainforest Alliance. O mercado mundial de alimentos "certificados como sustentáveis" e produtos florestais valia US$ 56 bilhões em 2010, ante US$ 42 bilhões em 2008, segundo o centro de estudos EcoAgricultures Partners, de Washington.
Pessoas que estudam o setor dizem que esses acordos podem melhorar as condições comerciais dos produtores rurais e também oferecer incentivos para proteger as terras. Eles são menos ambiciosos que a abordagem da Aveda, o que significa que são menos arriscados para a empresa e a comunidade.
São admiráveis os esforços para levar um modelo favorável ao meio ambiente para tribos isoladas que atualmente não comercializam seus produtos mundialmente, mas as chances de sucesso são poucas, diz Jason Clay, que ajudou a Ben & Jerry a lançar o sabor Rainforest Crunch no fim dos anos 80 e hoje integra a diretoria do World Wildlife Fund. "As expectativas são irrealistas para as comunidades isoladas, muitas vezes sociedades de escambo, em que a capacitação é muito limitada e há complexidade de língua, cultura e isolamento."
Para a Aveda, o caso dos iauanauás é parte importante dos cerca de US$ 400 milhões que fatura mundialmente, a maior parte com produtos de beleza, e a inspirou a criar uma rede de relacionamentos no mundo inteiro. A empresa compra sementes de argania de mulheres berberes em Marrocos e óleo de sândalo de aborígenes australianos. Os produtos da Aveda são vendidos principalmente por esteticistas enquanto cortam cabelo ou dão massagens faciais para clientes em centenas de salões de beleza no mundo inteiro. Os profissionais são instruídos para descrever como os iauanauás e outras comunidades de locais distantes fornecem para a Aveda os ingredientes exóticos por meio de parcerias, para cumprir a missão da empresa de "cuidar do mundo em que vivemos".
"Mais do que uma garrafa de xampu, o que vendemos para nossos profissionais é uma visão de mundo, um conjunto de valores que compartilhamos e uma maneira peculiar de fazer negócio", disse Conseil, um executivo educado na França que estudou antropologia antes de fazer administração.
A tribo e a empresa se uniram pela primeira vez em 1993, 15 anos depois de a Aveda ser fundada em Blaine, no Estado americano de Minnesota, por Horst Rechelbacher. Conhecido por ajudar a popularizar o termo "aromaterapia", Rechelbacher, um cabelereiro austríaco, criou um nicho usando ingredientes naturais em xampus, como o cravo, numa época em que a maioria dos produtos consistia puramente de químicos.
Rechelbacher diz que se convenceu no fim dos anos 80 de que poderia ajudar a floresta amazônica obtendo ingredientes da própria Amazônia.
"Éramos muito idealistas naquela época. Não era só salvar o planeta; também tinha a ver com lucro", diz. "Sempre achei que podia fazer os dois, e ainda acho."
Por meio de antropólogos que conheceu na Eco 92, no Rio, Rechelbacher foi apresentado a Biraci Brasil Yawanawá, na época um líder indígena em ascensão que buscava a salvação econômica de sua tribo. Os iauanauás tinham acabado de emergir de um período de trabalho escravo para seringueiros que os forçavam a trabalhar em troca de coisas básicas como sal. A tribo, que só entrou em contato com a civilização há duas gerações, tinha sido dizimada por doenças, vivia na pobreza e estava perdendo sua cultura e língua próprias.
Rechelbacher e Biraci Brasil encontraram uma causa em comum no urucum, usado há séculos pelos índios amazônicos para realizar pinturas decorativas no corpo e para se proteger do sol e de insetos. Numa cerimônia que durou a noite toda, ele e os índios tomaram o chá alucinógeno de ayahuasca e fecharam um acordo para a tribo fornecer urucum à Aveda.
"Passei muito mal, mas aí vi que o xamã também estava vomitando, então não me senti tão mal", recorda Rechelbacher.
Para administrar o projeto, a Aveda contratou May Waddington, uma antropóloga brasileira que ajudou a organizar a Eco 92. A Aveda também levou dois jovens iauanauás para os EUA para aprender inglês. Um deles era o primo mais novo de Biraci Brasil, Tashka Yawanawá, um prodígio da tribo que já tinha ido à faculdade para estudar ciência da computação — e que voltaria anos depois para desafiar a liderança de Biraci.
O projeto foi criado nos moldes de "não dê o peixe, ensine a pescar". A empresa previa que com algum tipo de ajuda inicial a tribo iauanauá se tornaria autossuficiente em dois anos, produzindo urucum suficiente para vender à Aveda e outros compradores no mundo inteiro. A Aveda pagou adiantado US$ 50.000 para a tribo comprar mudas e equipamentos. A empresa remeteu à tribo cerca de US$ 200.000 nos primeiros cinco anos, antes de a produção de urucum realmente aumentar.
A cultura dos iauanauás começou a florescer. Os anciões da tribo ensinaram à nova geração antigas músicas, danças e jogos, praticamente esquecidos na época de trabalho escravo para os seringueiros. A língua dos iauanauás se tornou parte do currículo de uma nova escola erguida pela Aveda.
Mas a colheita de urucum é que não ia muito bem. Demorou vários anos para se conseguir uma safra útil, que gerou quatro toneladas num ano bom. As outras safras foram menores, prejudicadas pelo mau clima ou danificadas pelo mofo na longa e úmida viagem da selva para a cidade mais próxima e de lá para São Paulo.
Em 2001, uma velha rivalidade entre Biraci e o primo Tashka dividiu a tribo. Alguns integrantes reclamavam há anos da maneira como Biraci distribuía os produtos comprados com recursos da Aveda, segundo líderes tribais. Agora fluente em inglês, Tashka voltou ao Brasil e começou a pressionar para assumir o controle do projeto da Aveda. Uma assembleia tribal acabou votando para que ele substituísse Biraci.
A parte da tribo que ficou com Biraci acabou cancelando o acordo com a Aveda e agora está buscando novas fontes de receita, como turismo e fabricação de mobílias. Tashka tem o apoio do resto da tribo e está trabalhando com a Aveda para reiniciar a produção de urucum no povoado de sua família, em Mutum. Os índios conseguiram em fevereiro produzir a primeira safra usável desde 2007, de 64 quilos. A Aveda gostaria de comprar duas toneladas este ano, diz Conseil, o diretor-presidente.

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